Curto ou Longo Prazo?

Oi pessoal, vou dividir hoje minha opinião sobre uma questão fundamental na construção consistente de patrimônio: devo focar meus investimentos para ganhos no curto ou no longo prazo?

Na verdade, entendo que esta dúvida não deveria nem existir. E não acho isto porque é impossível obter ganhos no curto prazo.

O motivo é outro: o curto prazo é dominado pela aleatoriedade. Quem ganha dinheiro no curto prazo contou, em última instância, com a sorte.

Não conheço ninguém que tenha construído patrimônio de forma consistente e durante um período longo, investindo com foco no curto prazo.

Minha opinião é: investimento e curto prazo não combinam.

O Que É Curto Prazo?


Bom, antes de prosseguirmos, acho legal deixar clara minha definição de curto prazo. Qualquer iniciativa de investimento que tenha sido pensada com um horizonte menor do que um ano, é de curto prazo.

De vez em quando, você vai ouvir de “especialistas” (que talvez nunca tenham investido de verdade na vida) que longo prazo é um ano à frente.

Não concordo. Um ano é um tempo curto para a maturação de um investimento, principalmente se tratarmos de ativos de maior risco, como ações ou fundos imobiliários.

Qual o Tempo Ideal para Carregar um Investimento?


Infelizmente esta é uma pergunta para a qual não existe resposta. Mais importante do que o QUANDO é o QUANTO. Até porque o quando ninguém sabe. Nem os “gurus” que dizem por aí que sabem.

Portanto, não fique tentando prever o tempo que ficará com um determinado ativo financeiro e sim, em qual o retorno que ele poderá te proporcionar.

Como saber a hora de entrar em um Investimento?


Esta é outra pergunta sem resposta, mas como orientação geral, você deve, antes de entrar em um investimento, especialmente no caso de ações, avaliar se o preço está “caro” ou “barato”. Os termos estão entre aspas porque o que está caro sempre pode ficar mais caro e o que está barato sempre pode ficar mais barato.

Além disto, você deve conhecer e ter noção da saúde financeira da empresa, além do seu histórico de resultados.

Com estas informações em mãos, você define um preço máximo de entrada e, se o preço atual estiver menor, você está liberado para entrar, mas se o preço atual estiver acima, você deve esperar ou caminhar para a análise de outro ativo que esteja no seu radar.

Mas, não devo sair em nenhuma hipótese antes de um ano?


Bom, se você fez a análise de forma consciente, sem se deixar levar por gostos pessoais, do tipo “A Brahma vende muito, logo a Ambev é uma ótima ação”, você só deve sair se algo estrutural acontecer.

Algo de estrutural pode ser: mudança regulatória, que fará com que os lucros da empresa caiam no tempo; mudança de todo o corpo executivo da empresa, executivos estes nos quais você confiava quando avaliou a empresa; entrada de concorrente com poder de “furar” as proteções mercadológicas da empresa que você escolheu por ser líder absoluta de mercado, etc.

Ou seja, você pode e deve sair se mudanças que afetem a avaliação prévia que você fez ocorrerem. Algo que faria com que você não comprasse a empresa se, à época este “algo” tivesse acontecido.

Mas nunca, porque caiu. O preço, por si só, não pode ser um bom motivo para sua saída do investimento.

Como saber a hora de sair de um Investimento?


Bom, idealmente esta hora é NUNCA, mas não dá pra ser tão sonhador assim…

Já que estamos partindo da premissa que a sua análise foi feita de forma consciente, sem se deixar ser levado por preferências pessoais ou por dicas, esta não deve ser uma preocupação recorrente para você.

É bom você acompanhar notícias que envolvam seus investimentos e, no caso de ações você deve acompanhar as divulgações trimestrais de resultados, já que elas devem ter sido uma fonte importante para sua avaliação inicial.

Em caso de mudança nos fundamentos (redução importante de lucros, aumento de dívida, interrupção ou diminuição importante de distribuição de proventos, etc), você deve procurar saber, mais a fundo, as causas de mudança nestes fundamentos. Incluindo nesta pesquisa, entrar em contato com o RI da empresa, para o caso de ações.

Se o motivo não for aceitável ou se for um motivo que passe a sua análise de “COMPRA” para “VENDA”, não exite. Venda.

Outras Vantagens de Comprar e Segurar


Existem outras vantagens em comprar e segurar a sua ação ou o seu investimento, qualquer que seja ele, por um longo tempo.

Dentre elas estão: redução dos custos operacionais (corretagem, emolumentos, etc, para ações, fundos de índices e fundos imobiliários) e redução das alíquotas de Imposto de Renda (para o caso de fundos de investimentos, exceto para os fundos imobiliários).

Além destes ganhos financeiros, temos o ganho emocional de não ficar “colado” com a cara na tela do seu Homebroker, já que o preço atual deixa de ser tão importante e sim o valor no futuro que aquele ativo trará para você.

Resumindo


Investimento e curto prazo não combinam. O curto prazo depende demais da sorte, logo não deve ser encarado como prazo de investimento e sim como período especulativo.

Invista de forma consciente e carregue seu investimento até que o racional do mesmo (que não deve ser uma dica quente ou coisa parecida) seja modificado e seu retorno potencial seja alterado de forma significativa, a ponto de você avaliar que não entraria naquele ativo nas novas condições.

O longo prazo e a análise consciente te dão tranquilidade para seguir o caminho sem se desesperar a cada mudança na cotação do seu investimento. Isto não tem preço.

Se você não estiver confiante de que a tese do investimento se segura no longo prazo, simplesmente não invista. Passe para outra possibilidade.

 

Bons investimentos e até a próxima.

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